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… a Amazônia legal

Terça-feira, 9 Setembro, 2008

Onde tem jambu, o Bicho vai atrás. Se faltam milhas para emitir uma passagem a Belém do Pará, ficamos bem satisfeitos com a abertura do restaurante Amazônia, na Rui Barbosa – sim, bem no meio das cantinas do Bexiga. Meio deslocado: além da localização inusitada, o lugar mais parece um boteco. Um balcãozão na entrada que une caixa, máquina de café e freezer. E uma TV gigante – desligada – no fundo do salão. Mas quem procura o Pará quer se deslocar, não?

O ambiente roots estava em sintonia com a comida. O tacacá (R$ 11) veio forte. Com cheiro de rio e de mar. Com aquela acidez viciante do tucupi, o anestésico do jambu e o sabor-paulada do camarão seco, no limite do sal. Sem concessões aos paladares sensíveis e xenofóbicos dos paulistanos. A pimentinha no tucupi, à parte, completava a viagem ao Pará. Os ingredientes vêm diretamente de lá, semanalmente de avião. E – achado dos achados! – podem ser comprados lá frescos: tucupi (R$ 15), jambu (R$ 7), farinha d’água…

Nossa carência por jambu era tanta que de prato principal dividimos mais do mesmo: filhote no tucupi (R$ 46). “Capricha no jambu” mandamos o recado pra cozinha. Pedido prontamente (força de expressão: o serviço também não faz concessão ao gosto paulistano) atendido! Pra quem só conhecia o prato através de uma releitura do Alex Atala (filhote ao tucupi com pérolas de tapioca), foi quase uma epifania. Choque de quem só conhecia a Capela Sistina por fotos e que finalmente a vê ao vivo.

O Alex tem seu mérito é claro. Mas já estava tudo lá, pronto, na culinária paraense: a farinha d’água (que no D.O.M. virou uma crosta em cima da posta de filhote), a goma de mandioca (que se transvestiu de pérolas de sagu), os temperos e as pimentas. No Amazônia se come direto na fonte: o peixe com espinhas, o comichão-delícia nos lábios e na língua, o suor depois da segunda pratada, num caldeirão sem apresentações bonitas.

Ficaríamos lá mais tempo, apaziguando a leseira do paladar com sorvetes de tapioca e cupuaçu (R$ 7,50 cada). Mas a música ambiente – sempre ela – nos chamava de volta a São Paulo: era a terceira vez que o cd da Madonna tocava no repeat. Provavelmente protesto de algum excluído do “show do século”.

Já que o negócio é ser roots, mais valia o Carrapicho tocando na tv lá do fundo:

Aí sim, nossa viagem à Amazônia estaria completa. Milhagens pra quê?

Amazônia
Rua Rui Barbosa, 206, Bela Vista
Tel: (11) 3142-9264
2ª: 12h-15h
3ª a 6ª: 12h-15h / 19h-23h30
sáb: 12h-16h / 19h-23h30
dom: 12h-16h
Os horários de atendimento estão mudando. É melhor ligar e confirmar.