Os críticos gastronômicos que são pagos pra comer – especialmente os sérios – voltam várias vezes a um restaurante antes de atribuir a ele estrelas ou palavras. Afinal, a qualidade pode oscilar entre um prato e outro, entre a entrada e a sobremesa, e até mesmo em um mesmo prato no intervalo de alguns dias.
Na dúvida e na falta de verba, o método do Bicho é, muitas vezes, reunir a família para um bem-bolado e provar um pouquinho de cada coisa. Foi assim que fizemos no LaMar, peruano de rede do chef Gastón Acurio inaugurado no final de Abril em São Paulo: combinamos um almoço com toda a família japa.

Cada um que provava os chips de raízes do couvert tinha uma opinião para acrescentar: “a mandioquinha está meio mole”, dizia um, “o que é isso, cará?”, dizia outro – e nessas de trocar opiniões íamos esvaziando um balde interminável de raízes crocantes, com molhinhos não-tão-bons-quanto.

Dividimos irmamente o Antichuco LaMar (R$ 36): espetinhos de polvo na brasa com chimichurri e batatas. O tempero estava ótimo, mas todos concordamos que o polvo poderia estar mais al dente – aliás, sempre pode. Comemos tudo mesmo assim.

Mix de causas (R$35): uma com polvo, umas com peixe, sempre com uma caminha feita de purê de batatas e especiarias. Depois de todos provarem um tiquinho, constatamos democraticamente que poderíamos ter passado sem essa.

Na dúvida de qual ceviche escolher? Vá de degustação (R$ 49). Mas se já quiser pular essa etapa e pedir logo o melhor, pode ir sem arrependimento no tradicional, com peixe branco e bastante coentro. A opinião da mesa foi unânime.

O Chicharron de frutos do mar (R$ 55) lembra aqueles petiscos empanados servidos em barraca de praia. Vem com salsa criolla, chips de banana, mandioca frita e molho tártaro. Sorte que tinha muita gente pra dividir as calorias com a gente e pra apontar logo de primeira os bichinhos que estavam melhores.

Acha que a gente já comeu o suficiente? Não é o que pensava uma das primas, que decidiu pedir também um tacu-tacu com camarões ao molho arequipeño de coral (R$ 52). Ela queria comparar com o que tinha comido na casa de uma amiga peruana – e foi logo explicando cheia de entusiasmo que a base do tacu-tacu é um bolo frito feito de arroz e feijão amassados. Mas, quando o prato chegou, ela pareceu bem decepcionada. “Vai que a receita varia de região pra região do Peru e nós que estamos sendo ignorantes, né?”, relativizou.

Teve também pescado e mariscos salteados a la criolla (R$ 48), bem parecido com um teppan-yaki japonês …

… e crepe de baunilha recheado com musse de queijo e maracujá e espuma (SIC) de chocolate (R$ 19) …

… e aí chegou mais gente na mesa, primos retardatários que pediram atum com crosta de pimenta, molho de açaí e purê de cará (R$ 58). Mas confesso que esse eu não consegui provar. O método do Bicho pode ser prático e democrático. Só que estômago tem limite de tamanho.
Sexta-Feira, 17 Julho, 2009 às 8:06 pm |
Oi Anna! Totalmente offtopic:
Tu ou o japa poderiam por favor me mandar a tradução dos textos do Francois simon que a tia de vcs traduziu???
Eu sei que custou um jantar no Dui Cuocchi…mas eu tentei lêr em francês e não deu!
Em troca eu mando uma Foto do Sr. L. junto com o steingarten com uma cara melhor!
Grato desde já!
Tádzio.
Afinal o La mar adiciona muitas milhas no funai mastercard???
Segunda-feira, 20 Julho, 2009 às 8:17 pm |
Tadzio. Temos as traduções aqui sim. Mas em qual crítica especificamente você se interessou? Abs.
Terça-feira, 21 Julho, 2009 às 1:10 pm |
todas…:P a do dalva e dito do fasano do mani e do mocotó acho que foram essas que ele publicou!!!
Sábado, 18 Julho, 2009 às 1:52 pm |
Fui lá também há uns dois meses.
Legal, diferente, mas não empolga.
Não tenho vontade de voltar.
Só se for pela companhia.
Segunda-feira, 20 Julho, 2009 às 6:31 pm |
Sou fã de peixe e sempre achei que a oferta deste em São Paulo, estava muito abaixo do nível que naturalmente se exige para a cidade.
O La Mare veio preencher e muito bem essa lacuna. Mais do que um bom restaurante peruano, vejo o La Mare como um excelente restaurante de peixe e frutos do mar. Acho que hoje não tem nada que chegue perto em São Paulo. Para além da comida, o ambiente e serviço são muito bons. Outro ponto forte é o custo benefício, principalmente quando comparado com o Porto Rubayat
Segunda-feira, 20 Julho, 2009 às 8:14 pm |
Bruno, realmente há no LaMar opções de peixes inteiros assados (um prato mais à linha PortoRubaiyat), que ficam listados em um quadro negro. Infelizmente, quando chegamos ao restaurante, não havia mais esses peixões. Quem sabe da próxima. Abraço!
Terça-feira, 21 Julho, 2009 às 12:57 am |
Além da comida que parece muito apetitosa, as fotos desse post ficaram realmente incríveis, acho que uma das melhores sequências que já vi no blog. Sangue nipônico é outra coisa! Achei também que ficou mais clean as fotos sem legenda.
Abs!
Terça-feira, 21 Julho, 2009 às 12:07 pm |
Blasé. O salão do LaMar tem uma luz natural muito suave, excelente pras fotos. Não teve nada a ver com o DNA japa.
Abs.