… a gente não quer só comida

By Anna Angotti

emiliano_bar

Esse negócio de dizer que comida é tudo em um restaurante é a maior balela. Claro que se ela não for boa o resto não se sustenta, mas se a intenção do Bicho ao sair para jantar fosse só comer bem, seria muito mais garantido eu escravizar o japa e comermos no jardim de casa (e fazer um blog de receitas).

Todo esse prelúdio é pra falar do Emiliano – restaurante que depois de quatro jantares memoráveis, posso confessar sem culpa (apenas com dor no bolso) que eu gosto de verdade. Só que, muito embora as criações do chef José Barattino sejam mais que respeitáveis, não é bem por causa delas…

emiliano_vellutata

Por mais que a vellutata fria de tomate com semifreddo de queijo de cabra e farofa de azeitonas pretas (R$ 32) seja a mais inspirada entrada de São Paulo, o que realmente me encanta no Emiliano é a vibe cosmopolita, a sensação que me dá, ao jantar ali, de que eu poderia estar em qualquer outro lugar do mundo. Ilusão que hotéis (e seus restaurantes) são profissionais em transmitir, poucos no bom sentido como o Emiliano.

As cadeiras de design do bar, by irmãos Campana (na foto aí de cima, “emprestada” do site do hotel). O pé direito altíssimo e as paredes de vidro que deixam um bonito jardim à vista. O serviço elegante, com garçons que não raro te chamam pelo nome. A música acertada no volume e na seleção, entre clássicos do Jazz e da Bossa Nova – marcante o suficiente para não merecer ser chamada de “música ambiente”, mas sem ser invasiva a ponto de transformar o salão em balada… Tudo no Emiliano inspira glamour, mesmo em quem, como eu, abomina afetação.

Tanto que, depois de muito debate, escolhemos o restaurante para uma noite especial, em que num de seus muitos rompantes de generosidade, o Luiz Horta decidiu compartilhar com o Bicho e mais alguns amigos – todos tarados por comida e vinhos – três preciosos Vega Sicília (para saber mais sobre os vinhos, passe lá no blog dele).

O critério, claro, não foi só a comida…

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4 Respostas para “… a gente não quer só comida”

  1. luiz Disse:

    Eu chamo esta sensação, que adoro, a de estar num lugar sem tempo e espaço, de middle of nowhere. O W.H.Auden, muito mais afiado, tem um poema inteiro sobre isto, chamado “Thank you, fog”, quando neblina fechada ilha amigos numa casa e eles ficam lá, vivendo um período de epicurismo. Merci!

  2. Leonardo Azevedo Disse:

    haaaaaaaaaaaaaaaaa ta explicado! com 3 Vega Sicílias na mesa tudo fica muito mais lindo!!!!!!!!!! brincadeira….que não deixa de ter fundo de verdade, afinal boas lembranças de um restaurante não necessariamente são exclusivas relacionadas à comida…
    visita obrigatória quando passar por sampa.

  3. Fernanda Disse:

    mas e aí? a comida tava boa? E o preço como é?

  4. Anna Angotti Disse:

    Sim, Fernanda, a comida estava boa. O preço é beeeeeem salgado (pratos principais na faixa de R$ 70). Como o post deixa bem claro, é para noites especiais…
    Abração

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