A gente pede desculpas pelos videozinhos sem graça, os posts rarefeitos e a falta de resposta aos comentários dos últimos tempos. É que estávamos participando da maior maratona gastronômica de São Paulo: o Prêmio Paladar, do Estadão. Como jurados, tivemos que comer 54 pratos de 39 restaurantes em um só mês. Uma correria e tanto. E tudo na maior discrição e anonimato. Agora que o carderno especial com os premiados está nas bancas, estamos liberados para escrever sobre os momentos mais divertidos dos bastidores. Sobre a melhor pizza, a pior sobremesa, a melhor carne de porco… vocês podem ler no Blog do Paladar ou no Estadão de hoje.
Três jantares em uma noite? Para digerir uma refeição completa no Ton Hoi, nada como uma pizza na Castelões. O jantar com dois pratos do Fasano não basta: precisa ser complementado por bobó de camarão com robalo no Amadeus e ainda sobrar espaço para a sobremesa no Gero… E assim por diante. Os intensivões nos fins de semana não eram balada para esbanjar. Eram, sim, programas obrigatórios para jurados que, como nós, não podiam almoçar e jantar fora todo dia útil. Sorte que sempre apareciam companheiros como o Luiz Horta, dispostos a encarar a empreitada – e dividir os pratos.
Uma vida de muppets Em muitos momentos, nos sentimos nesse episódio da Vila Sésamo. No Emiliano, tivemos que jantar outra coisa e voltar depois só pra provar o Filé lardelatto, o prato do Prêmio, que estava em falta no dia. Conseguir que o Vecchio Torino nos servisse o carpaccio de atum era missão quase impossível (um dia não tinha, noutro disseram pra gente não ir porque estava muito cheio com o pessoal do GP de Fórmula 1, no outro o telefone não atendia…). Fora os pratos que acabaram desclassificados no meio do caminho, como um enigmático “ovo invertido” no Miyabi, que o restaurante só fazia de vez em quando e o pessoal de lá não conseguia entender por que de repente um monte de gente apareceu querendo comer justamente aquilo.

O pior amigo do gato Tadinhos dos gatinhos. Passamos um mês sem comer em casa, único momento em que podemos dar mais atenção aos bichanos. Eles reclamavam da falta de companhia. No almoço do Porto Rubaiyat, tivemos uma idéia de bêbado: “vamos fazer um agrado! Pega um daqueles balões-de-restaurante-família pros gatinhos”. De volta em casa, e mais uma garrafa de vinho depois, a idéia de bêbado foi mais longe: “vamos amarrar o balão no gatinho! assim ele não vai se sentir tão sozinho”. Desesperado, o Cadu saiu correndo pela casa, perseguido pelo balão preso à barriga. Tanto fez que – bum! – o balão acabou estourando. E, superassustado, virou a cara pra gente de vez. Tadinhos dos gatinhos.
Placar La vie en rose Ouvimos tantas versões do clássico francês de Edith Piaf que, logo no começo do Prêmio, resolvemos fazer um placar. Tocou uma vez no Porto Rubaiyat, duas no La Casserole, uma no Jacquin, duas no Allez! Allez!, uma no Fasano, uma no piano do Amadeus… Depois perdemos a conta. Só podemos garantir que foi o suficiente para decorar a letra. Em francês e em inglês.

Olha o passarinho! Na primeira visita ao Anita – antes do Prêmio – fomos censurados ao fotografar os pratos. Já escaldados, só tiramos essa foto aí do restaurante, do outro lado da rua. No D.O.M, porém, quando saquei minha nada discreta Nikon com lente 25-200mm, o garçom foi logo me interrompendo: “espera! espera!”. Virou o prato para a posição correta da apresentação e autorizou: “agora sim, pode tirar a foto”. Quanta diferença no jeito de tratar os clientes-blogueiros. Na comida, então, nem vamos comentar…
Habitué? Não, cara-de-pau Mais uma prova de que a missão de jurado não é tão mole como se pode imaginar. Vira e mexe, o prato concorrente não era um que estava no cardápio ou entre as sugestões do chef, e sim uma enigmática especialidade que algum gourmet havia sugerido ao jornal. E nós tínhamos que pedir na maior naturalidade como se fôssemos habitués do lugar, mesmo sem o maître nunca ter nos visto na vida. Afinal, só um habitué – ou um cara-de-pau – para pedir, por exemplo, uma massa com manteiga e sálvia entre tantas opções mais incrementadas no Picchi. Ossos do ofício…

Moco-tur A gente gosta do Mocotó, vocês já sabem. Mas parar lá na Vila Medeiros em plena maratona gastronômica não ia ser fácil. A entendida Neide Rigo deu a dica: “não precisa ir dirigindo, é muito mais fácil pegar o metrô até a estação Tucuruvi e de lá um táxi sai por R$ 10. Se vocês forem com mais um casal, fica mais barato que o ônibus!” A Claudia, companheira gourmet, adorou a idéia. Mas e a volta? Quem disse que tinha ponto de táxi perto do Mocotó? “Vamos andando em direção ao metrô. Além de salvar o planeta, ajuda a digerir o escondidinho e a mocofava”, sugeriu a Claudia que, além de gourmet, é viajante consciente. Ah, se arrependimento matasse: foram 45 minutos de sobe-e-desce pelas ladeiras da Vila Medeiros, com sol na moleira, passando por córregos a céu aberto e engolindo fumaça das avenidas movimentadas. Ao menos serviu mesmo para fazer a digestão. Estávamos prontos pro jantar!
Terça-feira, 2 Dezembro, 2008 às 12:01 am |
Vocês fizeram falta na festa. E olha que eu não gosto de festa.
Algumas notícias pipocando no site já.
Terça-feira, 2 Dezembro, 2008 às 12:59 pm |
Primeiro, parabéns pelo site.
E o comentário de vocês sobre os outros pratos que vocês experimentaram? Vocês vão publicar?
Quanto vocês gastaram em cada restaurante?
Terça-feira, 2 Dezembro, 2008 às 8:08 pm |
Bruno. Todos os comentários estarão no site do caderno Paladar. Deve entrar no ar nos próximos dias.
Gastávamos ou uma fortuna ou muito pouco: dependia muito do restaurante. E tínhamos uma verba fechada para todo o Prêmio. A admnistração desse valor era responsabilidade nossa.
Grande abraço!
Terça-feira, 2 Dezembro, 2008 às 10:40 pm |
Parabéns pelo trabalho! Delicioso e confiável, vou ler com calma.
Abraço,
Jussara
Sexta-Feira, 5 Dezembro, 2008 às 4:31 pm |
Ê! Parabéns, meninos! Nossos bravos jurados! Beijos