
[ Fachada do restaurante Kidoairaku: vai encarar? ]
Você entraria nesse buraco? Eu também não. Mas a recomendação era tanta (numa entrevista à Gula, Jo Takahashi sentenciou: “é um boteco onde se pratica culinária de autor”) que, mesmo sujinho e sem placa à porta, entrei no Kidoairaku, numa esquina da rua São Joaquim, na Liberdade.
A velhinha que assistia a NHK cantou um “irashaimassê” tão autêntico, tão sem sotaque, que me senti obrigado a usar meu japonês-pré-primário: “ressutoran-wa-kokodessuká?” (algo como: “restaurante é aqui?”). A resposta não entendi bem, mas tinha Kidoairaku no meio. E fui me acomodando. Mesas com forro de plástico. Duas velhinhas conversando – em japonês, é claro – sobre o dia quente. E vários papeizinhos colados à parede fazendo as vezes de cardápio.

[ Paredes-cardápio: lost in translation ]
Talvez por ter percebido a minha dificuldade com os ideogramas, a simpática atendente trouxe-me o menu em português, dizendo algo incompreensível. Tinha “teishoku” na frase. Então interpretei como: “a especialidade da casa são os teishokus”. Interpretação que se confirmou nas dezenas de opções presentes no cardápio. Pedi um com porco empanado (R$ 28), um clássico japa. E uma cerveja: “biru-arimassuka?”.

[ Teishoku de porco empanado: o highlight estava no caldo ]
O empanado estava sequinho, o arroz era de qualidade. Mas o highlight do combinado, quem diria, estava nos legumes cozidos. Ou melhor, no dashi (caldo de peixe) em que eles eram cozidos. Dashi em que todos os sabores (doce, salgado, umami, ácido…) existiam em uma sutil harmonia.
Depois de devorar os vegetais todos, fiquei olhando aquele caldinho ralo no fundo da tigela. E não tive dúvidas, virei-o goela abaixo. O sabor foi rápido, mas marcante. Efêmero como as lembranças da minha vó cozinhando, só para mim.
Na mesma entrevista da Gula, o Takahashi (o que fala japonês, não eu) explica o significado de kidoairaku: “saudade, alegria, tristeza e prazer”. É uma boa definição.

[ Kanten (gelatina) de café com leite condensado: desconstrução à japonesa do pingado ]
Kidoairaku
Rua São Joaquim, 394, Liberdade
Tel: (11) 3207-8569
Tags: Japonesa, Kidoairaku
Terça-feira, 2 Setembro, 2008 às 7:38 pm |
Já foi ao Ajissai ? Não tem o cozido com o caldinho, contudo, o tonkatsu com misso é muito bom. Vale a visita.
Quarta-feira, 3 Setembro, 2008 às 12:35 am |
Ainda não, Edgard. É lá na Paraíso não? Vamos colocar na nossa wishlist. Obrigado pela dica!
Quarta-feira, 3 Setembro, 2008 às 9:10 pm |
Sim, fica no Metrô Ana Rosa na Conselheiro Rodrigues Alves 372
Domingo, 26 Abril, 2009 às 9:39 pm |
Fui no Kidoairaku por uma recomendação do Bicho. Gosto das coisas meio “alternativas”, então eu e minha esposa resolvemos tentar.
Realmente a fachada é bem feinha, vc nem imagina que lá existe um restaurante. Fácil de achar, mas nunca entraria se não tivesse uma indicação de alguém.
Entrando, parece aquela “casa da avó japonesa”. Crianças brincando no salão, TV com DVD de “Show de Calouros da NHK” passando e milhares de revistas japonesas nas estantes. Tudo muito simples, meio bagunçado, mas limpinho.
A maioria dos frequentadores são de japoneses “legítimos”, não se ouve muito o português. O cardápio na parede intimida os que não entendem bem os ideogramas como eu, mas eles também oferecem um cardápio em português.
Pra comer, sempre que eu não conheço um restaurante japa, vou no básico do básico. Pedi um Teishoku de Yakisakana, ou PF com peixe assado. O prato demora um pouco, mas vale a pena.
Em uma bandeja, vários pratinhos com acompanhamentos (vegetais, croquetes, tsukemonos, etc.), muito bem feitos. Misoshiro no ponto, sem aquele exagero de missô. E no meio, um lindo filé de anchova, bem grande. Veio do jeito que eu gosto, crocante por fora e muito macio por dentro. Extremamente saboroso. Posso dizer que foi a melhor anchova grelhada que eu experimentei em um teishoku.
De quebra, o arroz também é excelente. Muito melhor que a média dos japas “com grife” por aí.
Pra completar, não é caro. Vale uma visita se a pessoa realmente curtir um japa, sem se preocupar com as aparências.
Quinta-feira, 9 Julho, 2009 às 5:20 pm |
Olá!
Fui no Kidoairaku pela primeira vez na semana passada. Eu sempre passava por aquela esquina, mas nunca me despertou a atenção… Afinal, que fachada feia… Aliás, você viu que pintaram?
Mas falando na comida: nooooosssaaaaa! Muito boa! Sou muito fresca para comida japonesa, mas o Kidoairaku é realmente acima da média!
Adorei o “lost in translation”! Só não me senti assim, pois estava com meus pais… que sabem ler razoavelmente. Hehehe.
Enfim, parabéns pelo blog. Bem legal. (Encontrei seu blog procurando a foto do Kidoairaku com a fachada antiga…)
Segunda-feira, 13 Julho, 2009 às 4:56 pm |
Olá Elisa. A pintura da fachada infelizmente tirou um pouco o charme underground do lugar. Mas, como você diz, noooosssaa! que comida! Grande abraço.
Quarta-feira, 5 Agosto, 2009 às 12:17 am |
Adorei a comida!!! O arroz realmente é muuuito bom, no ponto, brilhante (literalmente)!
Eles já aceitam cartão, mas só Visa.
Quarta-feira, 5 Agosto, 2009 às 11:42 am |
Mirian. Gostei da informação! Quando falei com o Kaku-san, ele ainda estava negociando com a mãe – verdadeira dona do Kidoairaku – a autorização pra instalar a maquininha VISA.
Quarta-feira, 9 Setembro, 2009 às 1:28 am |
O Kidoairaku eu freqüento desde os tempos do cursinho Anglo da rua Tamandaré (+ ou – 15 anos atrás…)
Ótimo saber que agora eles aceitam Visa.
Sexta-Feira, 11 Setembro, 2009 às 11:21 am |
Fui no Kidoairaku sábado passado, pedi o teishoku de porco.
Demorou um pouco, mas compensou. Teishoku sequinho, legumes cozidos , missoshiro, goham, tudo ótimo.
Aliás, quando vi a porção extra do goham, achei que não ia dar, mas no fim comi tudo, muito gostoso.
Sexta-Feira, 11 Setembro, 2009 às 1:32 pm |
Cesar, o arroz é californiano, grão curto. Não há como resistir…
Da próxima vez, peça algum prato com peixe. Além da tradicional anchova, há os importados sanma, shishamo… um luxo.
Abs.
Segunda-feira, 21 Setembro, 2009 às 4:22 pm |
[...] Conforte-me com dashi no Que bicho me mordeu [...]