O BICHO AVISA Por questões éticas (peso na consciência) o nome do restaurante foi omitido no post
“Está tudo bem com a entradinha?” a atendente veio perguntar. E eu, separando os morangos nada a ver da brusqueta de parma, agrião e brie, respondi: “tudo ótimo, obrigado”. Sei que fiz errado. Me faltou a sinceridade que ajudaria a todos: ao restaurante a melhorar a comida. E a mim a dormir melhor.

[ Brusqueta de parma com brie com agrião com... morango? ]
O problema é que não sei lidar com a frustração do outro. Imagine você aceitando do chef um prato recomendadíssimo: “a arraia na manteiga de tomilho e purê de cará é muito bom, emocionante, pode confiar”. E recebendo um prato feio, mal montado. E que já na primeira garfada entrega o sal em níveis fora de escala. Imagine tudo isso e o chef atencioso e simpático vindo pessoalmente: “está tudo bem com os pratos?”

[ Arraia com manteiga de tomilho e purê de cará: eu bem que tentei fazer uma fotinha bonita ]
Não teve jeito. Ao invés do “tá feio e salgado pra burro” saiu de novo o “tudo ótimo, obrigado”.
Zé Edu, amigo e trovador, me deu a dica: “nessas horas diga ‘na categoria não tem nada igual’”. Funciona assim:
“Está tudo bem com os pratos?”
“Na categoria comida salgada e mal montada não tem nada igual.”
Simples não? O pior é que, ao invés de sair quieto do restaurante, ainda soltei um “tchau! até a próxima.” Que peso na consciência…
Segunda-feira, 21 Julho, 2008 às 10:55 am |
olha que eu vou dar uma busca no google e descobrir o nome do restaurante, hein? xiiiiiiii (mas confesso que eu também fico super constragida de falar o que achei da comida ao chef. pra falar a verdade, fico super constrangida quando o chef vêm à mesa. até quando eu gostei. fica parecendo uma babação de ovo, sei lá). Bjos!
Segunda-feira, 21 Julho, 2008 às 5:28 pm |
Ok, o Bicho é ético e não quer falar mal pelas costas, mas nós leitores somos curiosos: achei no Google, pelo prato, que o restaurante é o Oficina Bistrô Fernando Morais, na Pompéia, em São Paulo.
Segunda-feira, 21 Julho, 2008 às 7:23 pm |
Ai. O Fernando Morais me mata… Mas a Claudia tem razão. Tudo pelos seletíssimos leitores do Bicho!
Mas valeu como lição. Da próxima vez vou encher o peito e dizer: “tá feio e salgado pra burro!”
Segunda-feira, 21 Julho, 2008 às 11:32 pm |
Nada de “tá feio e salgado pra burro” e sim “na categoria, não existe nada igual!”. Vejam um dos primeiros posts do Bicho, que eu desenterro aqui:
http://quebichomemordeu.wordpress.com/2007/12/13/o-bicho-da-sinceridade/
Continuo defendendo a tese que só merece consultoria quem tem conserto…
Terça-feira, 5 Agosto, 2008 às 7:21 am |
Olha que mundo inconstante o nosso! Comi a mesma arraia, mas ela estava com um tempero bom, sem excesso de sal (e sabe que ela estava até menos feia que a sua?). Achei o prato satisfatório (já esperando, é claro, que não comeria um filé de arraia com frescor elogiável).
Sobre o bordão “saída pela esquerda” (como diria o saudoso leão da montanha), vc adaptou ligeiramente a expressão (sem comprometer o conteúdo, é claro). No uso original fica: “No gênero, nunca vi nada igual”. No universo de restaurantes ficamos com a versão “No gênero, nunca comi nada igual.” Isso ainda vai ficar famoso. Pode apostar. Abraço.
Terça-feira, 5 Agosto, 2008 às 9:51 am |
Castanho,
O cara tava nervoso. Viu a câmera fotográfica registrando tudo e grudou na gente. Perguntando se a gente era jornalista, onde trabalhávamos e tals. Estava nitidamente preocupado. Com certeza imaginou que éramos críticos gastronômicos de uma relevante publicação, tipo Guia Quatro Rodas. Hahaha… Acho que o Fernando ficou com medo da pessoa errada. Sorte dele. Como sua visitinha foi boa, podemos dar um desconto pro restaurante, não?
Abraço!