
[ Sushi no Hamatyo: se prefere salmão, guarde isso pra você ]
Em plena semana de comemoração aos 100 anos da imigração japonesa, o Demian, como bom japonês, ficou trabalhando até altas horas. Então fomos ao Hamatyo apenas eu, minha mãe e minha irmã, sem nosso representante particular da comunidade.
E descobrimos que o Hamatyo é tão autenticamente japa que discrimina quem não é. Não recebemos nem um sorrisinho da dona, muito menos as surpresas que costumam vir ao longo da seqüência de sushis escolhidos: um peixe diferente, um capricho minimalista até nos hossomakis mais triviais, um desfile de pratinhos de cerâmica lindos de morrer. O peixe estava fresco, mas só. Não valia o mal-estar.
Bem que eu já tinha sentido de leve o desprezo pelos gaijins certo dia em que elogiei a cerâmica e a dona respondeu que aquela ela tinha trazido do Nihon, que eu não encontraria na Liberdade. Mas até então tinha meu japa para me “defender” de ofensivas mais sérias.
Tá certo que a gente fez um pouco por merecer: minha mãe deu um sorriso mineiro e fez questão de dizer que “quanto mais de salmão vier, melhor”. Nossos celulares tocaram meio insistentemente (a minha mãe tem dois!) e, como boas três italianas reunidas, certamente falamos meio alto. Mas até aí já tolerei muito japa fumando no balcão bem do meu lado naquele lugar minúsculo. Afinal de contas, aprendi que quando se é um peixe fora d’água, o melhor negócio é ficar na sua.
E não é que dia desses um amigo gaijin queria uma recomendação de restaurante japa e eu indiquei o Hamatyo? Com a ressalva da minha última experiência. E ele me ligou meia hora depois dizendo que a dona olhou pra ele da cabeça aos pés e disse – em poucas palavras como só os japas sabem dizer – que a espera por um lugar seria muito longa. Enquanto ela falava, só deu tempo de ele dar uma olhadinha para dentro e constatar que tinha lugar sobrando…
Tags: Japonesa, Sushi Hamatyo
Sexta-Feira, 11 Julho, 2008 às 3:36 pm |
caramba, Ná, que coisa horrível! Como é, sabem tratar com peixe cru mas não sabem tratar com gente? ah, não gostei. não comi e não gostei. beijos
Sexta-Feira, 11 Julho, 2008 às 5:08 pm |
É essa cultura samurai.
No novo livro do Jun Sakamoto tem um trecho em que o mais-famoso-chef-ranzinza quase apanha do professor. E acha bom. Tipo dor é ensinamento, sabe? Maltratar e ser maltratado são sinais de iluminação.
Coisas medievais. Vai entender.
Quinta-feira, 31 Julho, 2008 às 8:48 pm |
Conhecem o Sushiguen?
Sexta-Feira, 1 Agosto, 2008 às 1:25 pm |
Não, Edgard. Você recomenda? Ou você quer dizer que lá o tratamento a gaijins é muito pior?
Quinta-feira, 19 Fevereiro, 2009 às 2:29 am |
Conhecem o Huto, em Moema???
Sushis tradicionais e um arroz ( shari ) morno, delicado , entradas de comer com os olhos, e o melhor, gaijins sempre são bem vindos!!!
É novo, vale a pena conhecer!!
Quarta-feira, 13 Maio, 2009 às 1:04 pm |
uai!?
eu sempre fui muito bem atendido lá e sempre comi muito bem.
Quarta-feira, 13 Maio, 2009 às 1:24 pm |
E você não é japa (e não costuma ir acompanhado por um deles)? Uau!
Quarta-feira, 13 Maio, 2009 às 1:22 pm |
Eu também.
Sábado, 15 Agosto, 2009 às 3:40 pm |
Credo, eu gostaria de conhecer, mas agora não mais!
Domingo, 30 Agosto, 2009 às 3:09 pm |
joana, pode ir. fui o primeiro cliente da sexta-feira passada e fui muito bem tratado.
ganhei “boa noite” ao chegar e ao sair, o sushiman sorriu pra mim quando perguntei se aquele era enguia e depois ele me ofereceu uma deliciosa sopa com vongôles.
a blogueira assume que não foi muito respeitosa no quarto parágrafo, logo após toda sua crítica com o restaurante (“Tá certo que a gente fez um pouco por merecer…”). se ela assume que fez um pouco por merecer, quem sou eu pra ser contra a atitude da dona e do shusiman?
joana, é só saber respeita o ambiente e a cultura deles. queira ou não, aquilo é quase uma embaixada do japão em pinheiros. se não estiver pronta pra isso, pinheiros tá cheio de rodízios japoneses.
Sexta-Feira, 30 Outubro, 2009 às 12:35 pm |
Ricardo,
Permita-me discordar um pouco. Acho que o respeito cabe aos dois lados. Pelo que os outros comentários contam, você teve sorte em ser bem tratado. Ou será que a turma pegou maus dias?
Pode ser que alguns não estejam prontos para tamanho choque cultural, sim. Mas por que abrir um restaurante no Brasil se não tolera os costumes brasileiros?
No mais, pretendo conhecer a casa. Espero que a lei anti-fumo impere também por lá.
Sexta-Feira, 30 Outubro, 2009 às 12:48 pm |
Judy, você me lembrou uma história engraçada.
Muito antes da Lei Antifumo, no ótimo e já extinto A1, o chef preparava sua comida no balcão ao mesmo tempo em que dava baforadas em seu cigarro. Havia muita gente que considerava isso inaceitável, nós achávamos simplesmente “pitoresco”.
Abs.
Segunda-feira, 26 Outubro, 2009 às 8:32 pm |
estive lá hoje e, apesar dos peixes frescos e sushis bem preparados, o ambiente não me pareceu nada acolhedor. pelo contrário.