Já temos uma tradição de fim de férias: quando vai chegando a hora de voltar para casa, anotamos em um caderninho, na ordem em que vêm à lembrança, os melhores e os piores momentos da viagem. Dessa vez a listinha foi concebida no vôo de volta, lotado e com comida bem mequetrefe – ou seja, o primeiro highlight que veio à mente foi o saudoso vôo da ida.
Com vocês, os 15 melhores momentos gastronômicos, filtrados diretamente do caderninho e editados em ordem cronológica – só deixamos de fora o que já foi contemplado em posts anteriores…
Pimentões assados no Julian de Tolosa (link do guia Frommer’s). Era nossa primeira noite em Madri e estávamos sem almoço, mortos de fome. A especialidade da casa, o chuletón, caiu incrivelmente bem. Os tais pimentões sugeridos como acompanhamento vieram fumegantes, borbulhando… Um porém: desavisados, pedimos também o outro highlight da casa segundo o guia Lonely Planet: alubias rojas de Tolosa… nada mais que um caldinho de feijão (foi assim que descobrimos que na Espanha feijão é chique).
Guindillas, piparras ou ainda langostinos de Ibarra. São três nomes para uma mesma iguaria: umas pimentinhas verdes magricelas, que geralmente não ardem muito (mas o garçom avisa que pode ser que haja uma ardida no meio da porção – não há como saber se não mordendo). Sejam refogadas frescas ou em conserva, arrematadas com flor de sal, não dá pra parar de comer.

Gazpacho perfeito, com acompanhamentos a escolher (reforço de tomates picadinhos, pimentões picadinhos, cebola picadinha, croutons…) – valeu a chatura do restaurante Casa Paca em Salamanca, que exigia o consumo de menús completos no “comedor”. Provamos incontáveis gazpachos na Espanha em busca de um que, além de perfeito, viesse acompanhado de um serviço de mesa mais simpático, mas esse se revelou imbatível.
O primeiro estrela Michelin a gente nunca esquece. Mesmo que a comida não tenha sido lá tão especial. Victor Gutierrez, em Salamanca. Delicioso o fois gras com recheio de porto.

Cordeiro lechal do NH La Perdiz, em La Carolina. Inacreditável que esse restaurante de hotel de rede de beira de estrada tenha se revelado um achado. Só descobrimos que se tratava de um hotel para caçadores quando topamos com uma perdiz empalhada no hall e com a parede decorada com umas pobres cabeças de veado cercadas de espingardas. O cordeiro, escolhido (pela Anna) por ser o único prato que não era de caça, estava supersuculento, com tempero complexo, maravilhoso. Também foi lá que tivemos que rever nossos conceitos sobre azeitonas verdes: sempre sobravam no prato, mas depois de provar umas rústicas, de casca tão durinha que racha, tivemos que nos render. O garçom ficou tão chocado com a voracidade com que as devoravamos que ofereceu, ironicamente, para reabastecer o pratinho de petisco.
Dono figuraço e ambiente do restaurante marroquino Arrayanes de Granada. Superbarato: o almoço com entrada, prato principal e sobremesa, acompanhados de limonada com hortelã, saiu por 40 euros para nós dois. Vale destacar que foi a única refeição não-alcoólica que fizemos nos 34 dias na Espanha – marroquino de verdade, não servia uma brejinha que fosse. Ótimo para limpar a alma, mas bem que saímos de lá direto para um boteco…
Privilégios da primavera: cheiro de flor de laranjeira pelas ruas de Granada – e em toda a Andaluzia.

Tapas ótimas (e grátis!) na viniteca Ajo Blanco (Calle Palacios, 17; tel: 958 228 128 ) em Granada. Pediu uma taça de Toro? Ganhou uma tapa de jamón com lasquinhas de foie… e por aí vai.
Velhinho vendendo aspargos no posto de gasolina, na estrada de Ronda para Córdoba. Pena que não tínhamos infra para prepará-los, se não teríamos comprado tudo.

Nosso achado: as ótimas tapas off-guias da Carmela, em Sevilha (Calle Santa María La Blanca 6, Tel. 954 211 717). Não confundir com a horrenda Casa Carmelo, ali perto.

Alho encapsulado em salsinha no Tragabuches, uma estrela Michelin em Ronda. A Claudia, alhófila de carteirinha, iria delirar. Para a criatividade do Tragabuches na forma de tapas e com preço bem mais acessível, há o irmão caçula, o Tragatapas (Calle Nueva, 4). O espetinho de aspargo com queijo ralado é o que há.

A vibe do barzinho Inopia, do irmão do Ferran Adrià, Alberto, em Barcelona. As melhores patatas bravas (€ 3,30) da Espanha. Com molho de pimenta e aioli, parece uma gororoba. Mas que gororoba! Com batata supercrocante soterrada pelos molhos saborosíssimos. Detalhe: nas paredes, polaroids do dono ao lado de chefs estrelados de várias partes da Europa, que fazem questão de anotar ao lado da foto o nome do seu respectivo restaurante – e suas respectivas estrelas.

Perda-total no Vila Viniteca. Meio quilo de queijo manchego tenro. Meio quilo de semi-curado. Jamón de Huelva. Azeite. Guindillas. Vinhos. Azeitonas. Para viagem. Ah, e o chocolate de São Tomé e Príncipe do Enric Rovira (que já acabou e deixou saudades). Apesar da concentração de 80% (!) de cacau, é bem comestível, porque tem uns cristaizinhos de açúcar pra rebater o amargor. E viciante. “É como comer o chão”, bem disse o Luiz Horta. Até a textura – por não ser refinado – é de terra. Terroir puro. Fomos, porém (há sempre um porém), severamente criticados por comprar a caixinha alusiva ao trabalho infantil… Bem, não deixa de ser terroir puro.


Menu do Comerç 24, em Barcelona – “Festival” a 62 euros (o mais curto) composto só de tapas. Tapas elevadas à alta gastronomia. Destaque para o didático e delicioso bacalhau com alcachofas. Em textura “normal”. E em forma de espuma e sorbet.

Overdose de vinhos La Rioja. Barato, barato! O problema é voltarmos ao Brasil e acharmos o Marqués de Riscal Reserva caro e não tão bom como ele costumava ser. Que fazer?
Planos para a próxima viagem, ora…
Quinta-feira, 5 Junho, 2008 às 9:20 am |
Meninos, lindas fotos e belo relato. A foto do Enric Rovira não tem nada a ver com trabalho infantil. Quando o entrevistei ele me explicou todo o trabalho, é lindo o que o Claudio Corallo faz em S.Tomé.
|Porque todo mundo (lá ele foi super criticado também) quando ve uma neguinha com um cacau na mão pensa em exploração? e se fosse um lourinho pensariamos em dentes saudaveis…Nós humanos temos um raciocinio estranho.
E um Rioja de qualidade, gostoso e a bom preço aqui é o Conde de Valdemar. Dá para matar o desejo sem explodir o bolso.
Sexta-Feira, 25 Julho, 2008 às 1:19 pm |
[...] achamos no Santa Luzia (pedacico a 25 reais). Quem souber o paradeiro por aqui dos pimientos ou das guindillas cante a bola. Por [...]
Quarta-feira, 13 Agosto, 2008 às 1:04 am |
[...] Jingle de agradecimento à Rachel, que trouxe quatro! caixas de chocolate Rovira não refinado, lá de Barcelona. A gente só come dois quadradinhos por dia. Para economizar o deleite [...]