
Há alguns anos arranjei num bota-fora da Expand um misterioso italiano, o Foradori Ailanpa 1999. Um syrah do norte da Itália que em muitos momentos especiais hesitei abrir. Sempre adiando. Num misto de veneração e insegurança [ se você não leu o inspiradíssimo texto de Luiz Horta sobre o sentido de esperar por um vinho, pare aqui, vá lá primeiro ].
Ontem, entre ele e um Amat Tannat, não deu para evitar: o Ailanpa suplicava, gritava por ser aberto. Era a certeza de que o ponto dele já tinha passado. O que encontrei? Ligeiríssimo aroma floral, depois madeira forte. Acidez simples, sem complexidade, taninos mortos. Flat, como dizem. Estragado não estava – e nunca vou saber se já foi diferente. Mas ficou a sensação de que os vinhos devem ser aproveitados no momento em que eles pedem. Ainda citando o Luiz, abrir um vinho antes da hora é desrespeitar sua história, seus produtores, a civilização enfim. Não deixa de ser muito diferente, creio, com aqueles abertos muito depois no ponto. Na tola tentativa de conservar a vida engarrafada, para sempre. Acaba sendo um vinho (contraditoriamente) derramado.
Onde está o ponto médio entre a pressa bárbara e o zelo cego? Acho que na experiência e na sabedoria. Coisas que ainda me escapam.
Terça-feira, 8 Abril, 2008 às 4:57 pm |
Eis o tema para um texto, o momento certo de abrir um vinho, e não tem resposta! Tem gente que faz estudos com curvas que parecem de balística, mas a verdade é que a zona de tempo é tão ampla! By the way: Amat de que ano? Tomei uma vertical de todos eles, no Carrau lá na fronteira do Brasil com o Uruguai, belo vinho, este aguenta uma espera longa, seja de que ano fôr. O italiano não sei dizer como era antes, infelizmente. Abraço!
Quarta-feira, 9 Abril, 2008 às 12:10 am |
Com uma sensibilidade assim, experiência e sabedoria são coisas que logo logo não te escapam mais.
forte abraço gaúcho.
Quarta-feira, 9 Abril, 2008 às 8:20 am |
Difícil…como saber? E como diz o Luiz, da tranquilamente para escreber um bom texto.
A semana passada, abri um Syrah, colheita 2001 de Mendoza, sem estagio em madeira… e ainda estaba bom, mas acho que está no limite…sem dúvida que a uva Syrah de aquela época era bem potente, não?
Um abraço
Rubén Duarte
Quarta-feira, 9 Abril, 2008 às 10:55 pm |
Luiz, o Amat é 2002. Com ele estou tranqüilo. A pulga atrás da orelha está num “souvenir” que minha querida amiga Clau trouxe de Santiago: um Don Melchor 95. Ai ai, beber ou não beber…
Quinta-feira, 10 Abril, 2008 às 1:43 am |
uhn, soa bem! 13 anos me parece um bom tempo para as complexidades que deve ter adquirido. mas um Cabernet deste deve aguentar ai uns anitos mais. chega aos 20 provavelmente. tomei as duas ultimas safras ano passado com o enólogo, aqui em SP, não me lembro os anos, acho que 2002 era uma delas e ainda estavam crianças. aquelas coisas: beber entre 2008-2015! haha!
Quinta-feira, 10 Abril, 2008 às 1:45 am |
quando achar minhas notas do amat 2002 te digo. fizemos para a gula uma vertical tambem, vou ver se acho no site da revista.
Quinta-feira, 10 Abril, 2008 às 1:16 pm |
2015??? Então é melhor beber logo. Em 2015 eu é que vou ter passado do ponto.
Quinta-feira, 10 Abril, 2008 às 7:21 pm |
bom, eu sempre acabo pensando assim…não guardo nada, eles já vêm guardados, no caso deste , por exemplo, que vc não teve que esperar 13 anos!