
Ontem nos twitters dos americanos não se falava em outra coisa que não o Super Bowl Sunday (a final do campeonato de futebol americano, com importância equivalente à Copa do Mundo pro Brasil). No caso do povo que a gente segue, lia-se mais sobre o que eles iam servir de comida para acompanhar o jogo do que do jogo em si. Mesmo em São Paulo, era impossível não se deixar contagiar. Não que eu quisesse assistir à disputa do New Orleans Saints com o Indianapolis Colts – afinal, não entendo nada de futebol americano –, mas bateu aquela vontade incontrolável de comer hambúrgueres, costelinhas de porco e chicken wings…
Sorte que, ao contrário das previsões oficiais, o 210 Diner, nova casa do Benny Novak (chef do Ici e do Tappo), já estava funcionando em sistema de soft opening. Segundo o Benny, faltam chegar alguns itens do cardápio para a inauguração amanhã (dia 9) e o serviço e a cozinha ainda precisam se afinar. Mas a impressão que tivemos é que a casa estava funcionando a todo vapor.
A começar pela sensacional trilha sonora (Lou Reed, Doors, Stones…) montada pelo chef com talento pra DJ que, junto com a decoração (neons, sofazinhos de madeira, sopas Campbell’s empilhadas em uma estante), nos transportou sem escala pros EUA.
O cardápio, bem mais extenso que nos outros restaurantes de Benny, não se restringe a uma região norte-americana: tem matzo ball soup das delis novaiorquinas, camarões com molho cajun famosos na Louisiana, Philly steak (signature-sandwich da Philadelphia, com rib eye, cogumelos e queijo ementhal), BLT (bacon, alface e tomate), o sanduíche dos americanos expatriados mundo afora… Tem também ostras e lagostas. E, claro, clássicos sem fronteiras, como hambúrgueres e hot dogs. Deu vontade de provar tudo.

Mas nessa primeira visita, ficamos firmes no que a nossa lombriga do Super Bowl pedia. Começamos nos lambuzando com uma porção de chicken wings (R$ 26), que na verdade eram coxinhas empanadas e cobertas com molhinho picante – e, no intervalo entre uma e outra, palitinhos de salsão com molho de blue cheese. Delícia.

Piggie burger (R$ 24), coberto com costelinha desfiada e molho barbecue. O pão poderia estar mais quente e, embora deliciosa, a costelinha mascarava um pouco o sabor do hambúrguer alto, vermelhinho por dentro, suculento. Adorei, mas da próxima vez vou pedir o tradicional mesmo – com bacon e queijo, porque não sou tão purista assim.

Para o japa, baby back ribs (R$ 37): as costelinhas de porco, em porção gigantesca, vieram com casquinha crocante e carne supermacia, de dispensar a faca.
De acompanhamento, que deve ser pedido a parte, não resistimos ao hash brown (R$ 10), ninho de batata ralada fininha e frita (na versão do 210, misturada com cebolas), que para mim tem gosto de infância: meu ex-padrasto americano adorava fazer de café da manhã como parte da sua missão nada frustrada em converter eu e minha irmã ao american-way-of-breakfast.

Talvez por causa desse passado eu não tenha ficado com peso na consciência nenhum em pedir como entradinha o bacon grelhado (R$ 24), que é defumado na própria casa e servido em duas fatias grossinhas com xarope de maple e vinagrete de salsa.
Diz o Benny que a ideia é, mais para frente, manter o 210 Diner aberto 24 horas por dia. Se isso se confirmar, vou bater ponto no café da manhã, só para comer esse bacon com os ovos fritos e omeletes que também estão no cardápio. Mas, enquanto não rola, só a notícia de que vai abrir nas noites de domingo – o período mais micado pra quem quer comer fora – já deixou a gente bem feliz.

Até pensamos em trocar a sobremesa por um BLT, mas o interesse dos nossos leitores falou mais alto – vocês querem o serviço completo, né? Então lá fomos nós de Devil’s Food Cake (R$ 16), que ajudou a comprovar a nossa tese de que se o 210 Diner virasse rede, desbancaria fácil, fácil o America. O tijolão de bolo de chocolate veio fofinho e coberto por um rico chocolate amargo daqueles bons de usar o dedo para limpar o prato.
Ainda estava digerindo o jantar quando recebi a notícia de que o Saints, o eterno azarão do futebol americano, quebrou o jejum e ganhou o Super Bowl pela primeira vez na História!
Pra comemorar, Louis Armstrong no som:
E aí lembrei de uma história que não tem nada a ver com comida, mas que eu queria contar aqui. Foi em 1989, no parque de diversões de uma feira em New Orleans. Eu e a minha irmã gastando todas as nossas moedinhas tentando estourar bexigas com dardos para ganhar um urso de pelúcia da Coca-Cola (aqueles que viraram febre por causa da propaganda). De repente apareceram uns jogadores do Saints gigantões e se ofereceram para jogar por nós. Resultado: saímos de lá todas pimponas, com três ursos gigantes e fotos com os nossos novos heróis. Talvez por isso eu tenha ficado quase tão empolgada com a vitória do time quanto com a abertura do novo restaurante americano do Benny.
210 Diner
R. Pará, 210, Higienópolis
Tel: 3661-1219
3ª a 5ª: 19h/0h; 6ª e sáb.: 19h/0h30; dom: 19h/23h30













































