… o sal da sinceridade

Domingo, 20 Julho, 2008 by Demian Takahashi

O BICHO AVISA Por questões éticas (peso na consciência) o nome do restaurante foi omitido no post

“Está tudo bem com a entradinha?” a atendente veio perguntar. E eu, separando os morangos nada a ver da brusqueta de parma, agrião e brie, respondi: “tudo ótimo, obrigado”. Sei que fiz errado. Me faltou a sinceridade que ajudaria a todos: ao restaurante a melhorar a comida. E a mim a dormir melhor.


[ Brusqueta de parma com brie com agrião com... morango? ]

O problema é que não sei lidar com a frustração do outro. Imagine você aceitando do chef um prato recomendadíssimo: “a arraia na manteiga de tomilho e purê de cará é muito bom, emocionante, pode confiar”. E recebendo um prato feio, mal montado. E que já na primeira garfada entrega o sal em níveis fora de escala. Imagine tudo isso e o chef atencioso e simpático vindo pessoalmente: “está tudo bem com os pratos?”


[ Arraia com manteiga de tomilho e purê de cará: eu bem que tentei fazer uma fotinha bonita ]

Não teve jeito. Ao invés do “tá feio e salgado pra burro” saiu de novo o “tudo ótimo, obrigado”.

Zé Edu, amigo e trovador, me deu a dica: “nessas horas diga ‘na categoria não tem nada igual’”. Funciona assim:

“Está tudo bem com os pratos?”
“Na categoria comida salgada e mal montada não tem nada igual.”

Simples não? O pior é que, ao invés de sair quieto do restaurante, ainda soltei um “tchau! até a próxima.” Que peso na consciência…

…a casa da vovó, logo ali

Terça-feira, 15 Julho, 2008 by Anna Angotti

[No couvert, a conserva de cebola é imperdível]

Fomos ao Chou dois dias depois que o simpático restaurante de Pinheiros abriu as portas (e o quintal) ao público, há três semanas. Mas a correria adiou esse post mais que o esperado – e o “furo de reportagem” que o Bicho queria dar acabou ficando para a próxima…

Então resolvemos voltar lá na semana passada para tirar o atraso com um post mais alentado. Resultado de duas visitas: não podemos deixar de recomendar a inusitada combinação de plantinhas da horta e outros quitutes orgânicos dos mezzes, porçõezinhas cheias de estilo que são o forte do lugar – além das mesinhas no quintal, que têm um pé na Provence, outro na casa da vovó… mas logo ali, na Mateus Grou.

Nas duas visitas, pusemos o cardápio abaixo…

Provamos a abóbora cabochan assada com gergelim negro e folhas de coentro (R$ 11). Só o fato de não ter medo de coentro no coração da paulicéia já contou pontos. E a abóbora estava de fato doce e cremosa, como prometia o cardápio – só faltou ser mais quentinha, veio em temperatura de salada.

Seguimos com os cogumelos na brasa com salsa de avelãs e parmesão (R$ 15), que se revelaram um dos highlights: parmesão de primeira e cogumas com pinta de churrasco. A salada quente de trigo e cogumelos shitake, com amêndoas e queijo de cabra seco (R$ 14), também é uma delícia. Passamos ainda pela pasta de berinjelas queimadas com tomatinhos cereja e manjericão (R$ 11) e saladinha de pepino e iogurte feito em casa, com hortelã (R$ 11, dispensável).


[ Mandiocas com orégano fresco: empataram com a receita da família ]

No primeiro dia, o Demian bem que tentou vetar a mandioca cozida e grelhada no carvão, sal grosso e orégano fresco (R$ 11), mas acabei ganhando, do garçom, o empurrãozinho que faltava: “é uma das nossas especialidades”, disse, fisgando a veia de repórter do japa. Resultado: mandioca desmanchando por dentro, com crostinha por fora. Empatou com a receita da finada Tataia, saudosa cozinheira da casa da minha vó, até então meu único benchmark de mandioca. Tanto que mereceu repeteco no segundo jantar.


[ Picanha de cordeiro congelada: para um restaurante de grelhados, o Chou é um ótimo vegetariano ]

Agora o problema: os pratos principais. No primeiro dia, pedimos para dividir a canela de cordeiro marinada com alecrim e pimenta do reino e assada no forno a lenha (R$ 36) acompanhando um bowl de batata de colher “assada e crocante” (R$ 8). Dava para passar sem: o ponto da batata estava irregular e a carne, meio seca. Duas semanas depois, esse prato já tinha sumido do cardápio, o que tomamos como um bom sinal. Mas a picanha de cordeiro (R$ 31) acabou de confirmar a má-impressão: tinha gosto de congelada e recongelada, uma tristeza. Bom estava o tempero do arroz sete cereais (R$ 9) que a acompanhou. Conclusão: para um restaurante de grelhados, o Chou é um ótimo – ótimo mesmo vegetariano/orgânico.

Para fechar, chazinho da horta. Na noite que sentamos no quintal, veio junto com uma manta de lã pra a gente se embrulhar, porque a temperatura começava a cair. Só faltou ter um quarto bem quentinho como na casa da vovó, porque a vontade era de não sair mais…

… a solução para todos os seus problemas

Sexta-Feira, 11 Julho, 2008 by quebichomemordeu

Enquanto os outros blogues só polemizam (vide aquele-que-não-deve-ser-nomeado e Alexandra Corvo), o Bicho mostra a solução! Anote aí o número:

Colaboração da Bruna (mais uma vítima da nova Lei Seca) para o Bicho.

… o novo sempre vem

Quinta-feira, 10 Julho, 2008 by Demian Takahashi

Dica da Gabi Erbetta. Deu no G1: o Bicho Geográfico virou sucata :cry: . O iPhone G3 lançado hoje localiza o dono pelo GPS embutido e recomenda restaurantes pelas redondezas – por preço, especialidade… Se falta inspiração, é só chacoalhar o celular-faz-tudo, que ele mesmo faz a escolha por você.

Tudo baseado no site colaborativo UrbanSpoon, onde os usuários são os críticos e dão notas aos restaurantes. No melhor estilo Zagat. Se cuida, Josimar! :lol:

… o Bicho e os bichos

Segunda-feira, 7 Julho, 2008 by Demian Takahashi

Em missão ultra-secreta, o Bicho foi parar em Visconde de Mauá (RJ). E acabou cruzando com vários de seus semelhantes:

A simpática anfitriã Rosinha, burrinho patrimônio histórico da cidade. Tão carente e dócil que foi se enfiando no nosso carro. E, como bom exemplar da espécie, acabou empacando. Causando o maior engarrafamento na cidadela.

Taí a camiseta-souvenir que não nos deixa mentir…

A agressiva propaganda do concorrente do blog. Será que eles registraram a marca?

Os cabritinhos do capril Maluvito’s (vale do Pavão, 6km, 24-3387-1193). Dê de mamar aos filhotes e você não vai resistir à lojinha de produtos. O queijo romano (R$ 80/kg) bem que lembra o finado manchego. Está um pouco fresco demais. Levamos dois pedaços de 250g para tentar curar em cima da geladeira – sugestão do dono do capril.

Com os gatos a solta lá em casa, acho que vai dar bode… (trocadilho infame porém irresistível, desculpaê :) )

… o fim e o começo

Terça-feira, 1 Julho, 2008 by Demian Takahashi

[ Brinde na Adega Santiago com Luis Pato, vinho adorado pelo glupt! ]

O glupt! é só um blog. Isso eu sei. Mas a notícia de seu fim me veio como a da morte de um amigo antigo. Perplexo e inconformado (triste ainda não), tentando achar razões para o fim. E já imaginando o futuro sem ele. Não adianta a vida te ensinar que há coisas que são assim mesmo, que simplesmente acontecem. Ponto. Bola pra frente. E que não lhe resta muito além de aceitar. O problema é que a saudade já é mais forte:

Que outro blog conseguia falar com poesia sobre o desdém e o esnobismo das garrafas abertas sem propósito. Escrachando o novo-riquismo – que faz a felicidade dos restaurantes – com tanta classe?

Que outro blog, no meio do oba-oba, teve coragem de dar uma lavada no Rafael Garcia Santos? Com o resto da mídia sentadinha ao palco só balançando a cabeça?

Que outro blog falava com tanta propriedade de vinhos com arte, com música e, claro, com os enigmas felinos deixados pela Frederica?

E revendo todos os seus posts, me vem o aprendizado de que não adianta chorar pelo fim do vinho precioso. Que o que tem que valer e ficar são as amizades e os momentos que ele criou e fortaleceu.

Um brinde e palmas ao glupt!

… o preconceito contra gaijins

Domingo, 29 Junho, 2008 by Anna Angotti

[ Sushi no Hamatyo: se prefere salmão, guarde isso pra você ]

Em plena semana de comemoração aos 100 anos da imigração japonesa, o Demian, como bom japonês, ficou trabalhando até altas horas. Então fomos ao Hamatyo apenas eu, minha mãe e minha irmã, sem nosso representante particular da comunidade.

E descobrimos que o Hamatyo é tão autenticamente japa que discrimina quem não é. Não recebemos nem um sorrisinho da dona, muito menos as surpresas que costumam vir ao longo da seqüência de sushis escolhidos: um peixe diferente, um capricho minimalista até nos hossomakis mais triviais, um desfile de pratinhos de cerâmica lindos de morrer. O peixe estava fresco, mas só. Não valia o mal-estar.

Bem que eu já tinha sentido de leve o desprezo pelos gaijins certo dia em que elogiei a cerâmica e a dona respondeu que aquela ela tinha trazido do Nihon, que eu não encontraria na Liberdade. Mas até então tinha meu japa para me “defender” de ofensivas mais sérias.

Tá certo que a gente fez um pouco por merecer: minha mãe deu um sorriso mineiro e fez questão de dizer que “quanto mais de salmão vier, melhor”. Nossos celulares tocaram meio insistentemente (a minha mãe tem dois!) e, como boas três italianas reunidas, certamente falamos meio alto. Mas até aí já tolerei muito japa fumando no balcão bem do meu lado naquele lugar minúsculo. Afinal de contas, aprendi que quando se é um peixe fora d’água, o melhor negócio é ficar na sua.

E não é que dia desses um amigo gaijin queria uma recomendação de restaurante japa e eu indiquei o Hamatyo? Com a ressalva da minha última experiência. E ele me ligou meia hora depois dizendo que a dona olhou pra ele da cabeça aos pés e disse – em poucas palavras como só os japas sabem dizer – que a espera por um lugar seria muito longa. Enquanto ela falava, só deu tempo de ele dar uma olhadinha para dentro e constatar que tinha lugar sobrando…

… 100 posts, 10 mil acessos

Domingo, 29 Junho, 2008 by quebichomemordeu

[ 10 mil acessos em sete meses? Bem, de grão em grão as galinhas enchem o papo... ]

Demorou quase sete meses, mas finalmente temos numerozinhos pra comemorar: o centésimo post e, ao mesmo tempo, o total de 10 mil acessos! Não é muito, mas estamos felizes. Como já dizia o ditado da galinha… :)

Temos planos de comemorar à altura, no D.O.M. Faz tempo que estamos devendo um post sobre a degustação do Alex, que não merece ser escrito de memória distante – já fez um ano que fomos da última vez, snif. A comemoração é também um bom pretexto para apurarmos certa denúncia de que andavam servindo camarões congelados no melhor restaurante do país. SERÁ? Mas tenham paciência, porque precisamos esperar fechar o cartão do mês…

Enquanto isso, fica nosso agradecimento a cada leitor – mesmo aqueles que só entram para reclamar da nota paulista. Afinal de contas, ajudaram a compor o quórum!

… chutando cachorro morto v.2.0

Sexta-Feira, 27 Junho, 2008 by Demian Takahashi

Mais uma sobre o já-bem-chutado-mr.-Parker. Na endpage da Wired de junho, um Wine Spectometer. Versão 2.0 da Wine Spectator. Que lê a garrafa e informa os pontos, os sulfitos e carvalhos. Tudo ficção, é claro. Era pra ser engraçado, mas – o horror, o horror – não duvido nada que se torne realidade. Dá um clique pra ampliar.

… jabá com vinho

Sexta-Feira, 27 Junho, 2008 by Demian Takahashi

Interrompemos a programação para um reclame-jabá:

Rogério Fasano escreve bem. Lembro às gargalhadas até hoje de seu antológico texto sobre o The Fat Duck num Paladar distante (pena que não consegui resgatar o link). Agora, no Guia de Vinhos dos Guias Quatro Rodas (R$ 14,99), Rogério desce o cacete no já bem chutado Robert Parker. O mote é velho, é verdade, mas veja o estilo da verve:

“Como somos um povo que aceita manobras autoritárias sem muita contestação, vamos, pelo menos, decidir o vinho que beberemos sem imposições de terceiros. Aliás, um conselho: sempre escute pessoas normais, apaixonadas pelo tema. E só para ser um pouco politicamente incorreto, sugiro a quem deseja me presentear com um vinho que esqueça a pontuação do Robert Parker. Ela não me interessa. Fale-me logo o preço. Prometo espalhar a voz!”

Pronto. Voltamos à programação normal.