… CB Curry House não volta mais

Terça-feira, 7 Julho, 2009 by Demian Takahashi
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[ Nova praça de alimentação do TopCenter: cadê os japas? ]

A informação veio do Horácio, proprietário do japonês PubKei que foi desalojado – junto com o CB CurryHouse, o A1, o Miyabi… – para a novíssima praça de alimentação do shopping TopCenter. A mãe do Horácio é amicíssima da dona do CB (a “Mãe Carê”, para os íntimos) que acaba de se aposentar. Mas, antes de largar de vez a toalha, passou para o pessoal do PubKei as receitas e as matérias-primas que fizeram tanta fama lá no CB. Ao lado dos pratos a base de karê, no cardápio haverá outras opções quentes e também sushi e sashimi. A abertura da casa, no andar de cima do shopping, está prevista para quarta que vem, dia 15.

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[ Obras para a inauguração do PubKei: o CB viverá – em espírito – por lá ]

E OS OUTROS JAPAS? Shin Koike (do Aizomê) havia prometido para maio deste ano a abertura do GoGoCurry nessa mesma praça de alimentação. Mas as conversas de corredor dizem que não será dessa vez que a franquia japa especializada em karê vem pro Brasil. Já o Miyabi só deve reabrir mesmo em agosto (é ver para crer).

… obituário de um prato

Domingo, 5 Julho, 2009 by Anna Angotti
Due Cuochi Cucina – Gnocchi com cogumelos
[ Nhoque com cogumelos do Due Cuochi: agora só na lembrança ]

Lembram que eu contei que levaríamos meus tios ao Maní em agradecimento às traduções dos textos do François Simon sobre os restaurantes de São Paulo? Pois bem: liguei lá cedo no sábado, mas as reservas para aquela noite estavam esgotadas. Perguntei se eles reservam todas as mesas. “Depende do dia, não podemos garantir que a senhora vai conseguir sentar mesmo se chegar aqui antes do restaurante abrir”.

Na dúvida, escolhemos esperar com certeza. Rumamos para o Due Cuochi. No fundo, a falta de clareza no sistema de reservas do Maní foi só a deixa para a mudança de programa: receávamos que a comida leve e moderninha da Helena Rizzo não entusiasmasse muito o meu tio, especialmente numa noite fria como aquela. “E o Due Cuochi é à prova de erros”, repetia o japa.

Na tentativa de ser bons anfitriões, chegamos mais cedo e colocamos o nome na lista. Só então ligamos para os tios marcando no restaurante daí a quarenta minutos. Quando eles chegaram, restava mais um tiquinho de espera, mas nada muito grave.

Na hora de escolher os pratos, o Bicho sentiu o peso da responsa: eles nem quiseram ver o cardápio, deixaram tudo com a gente. “Sorte que existe o irreprovável nhoque de batata com cogumelos, pelo menos uma pedida está resolvida”, pensei.

Só que, enquanto vasculhava o cardápio em busca da segunda indicação, levei um susto: o nhoque com cogumelos tinha sumido. No lugar dele, uma versão de mandioquinha, com tiras de filé. Como assim?

O garçom explicou que o prato ficara de fora na reformulação do cardápio, que de vez em quando precisa mudar, que eu experimentasse o de mandioquinha que era melhor ainda blablablablablablablablabla. Ele falando e eu cada vez mais transtornada, pensando não só na gravidade de ter que escolher dois pratos para dois tios exigentes, mas também no que pedir para mim (afinal, saí com saudades toda vez que traí o nhoque).

Como conviver daí pra frente com a notícia da extinção do meu prato de massa favorito de todos os tempos? Como encarar de novo a espera do Due Cuochi sabendo que não terei mais a primeira garfada do levíssimo gnocchi a me recompensar… e as garfadas seguintes a apagar a memória da espera (que, quando a última bolotinha vai à boca, já se tornou um pesadelo superado)?

Não estou dizendo que as outras massas são ruins, pelo contrário. Delícia o nhoque de mandioquinha, embora os carnudos cogumelos de outrora tenham sido substituídos por lâminas fininhas de champignon. Os tios também elogiaram seus pratos: nhoque de batatas e espaguete, ambos com molho simples e equilibrado de tomates. Provavelmente outras tantas receitas são as favoritas daquele mundaréu de gente que se acotovela por uma mesa no Due Cuochi.

Pra mim, nenhuma se compara ao nhoque com cogumelos – que passa, a partir de agora, a viver só na memória, entre outras coisas queridas que provavelmente não voltam mais.

Chegando em casa, leio no Twitter do Gourmet Blasé a notícia de que o Tête à Tête fechou, que tem até placa de “aluga-se” na porta. Estamos há tempos ensaiando para voltar lá: faltava provar a famosa mini-abóbora com camarão e eu já estava com saudades do mil folhas de maçã temperado com tomilho. Mais um que vai pro plano das lembranças?

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[ Mil folhas de maçã com tomilho do tête à tête: saudades ]

Em 2ª mão: Pratos do ElBulli 2009!

Quarta-feira, 1 Julho, 2009 by Demian Takahashi

A gente não vai mentir falando que a notícia é “exclusiva” ou “inédita” :) . Pois o crédito é todo do Josh, que acabou de postar, lá no fórum eGullet, as primeiras fotos dos pratos que compõem o menu 2009 do ElBulli, o melhor restaurante do mundo segundo a revista Restaurant.

Dentre as criações de Adrià para essa temporada (que começou em 16 de junho), há um incompreensível shabu-shabu de pinoli, uma caninha-de-açúcar “sabor caipirinha” pra chupar, anêmonas-do-mar com cérebro de coelho (urg!) e – santíssimo tecnoemocional – uma folhinha que tem sabor natural de ostras! Eu quero!!!

Confira lá. E fique com água na boca (ou – quem sabe? – com o estômago embrulhado).

… a conexão Okinawa – Mato Grosso do Sul

Terça-feira, 30 Junho, 2009 by Demian Takahashi
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[ Sobá de lombo: o sabor ficou bem longe do Mato Grosso do Sul... em Okinawa ]

Recado pro Bicho: “se você gostou tanto do Deigo, há Sobá de Okinawa também lá na Sobaria, nova casa especializada em comida do sul-matogrossense”.

Hein? O que o Mato Grosso do Sul tem a ver com Okinawa?

Quanta ignorância a minha… O cardápio do restaurante explica que os imigrantes de Okinawa levaram a especialidade para aquele Brasil profundo no início do século passado. Até hoje há uma importante comunidade okinawana em Campo Grande, a maior fora do Japão, dizem.

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[ Sopa paraguaia: sim, a foto é essa mesmo ]

A mistureba, naquele restaurante-mais-pra-boteco – com música ao vivo inclusive – não me convenceu, não. O sobá (R$ 16, o pequeno com lombo) pesadão e meio cru e farinhento no centro não pegava bem o sabor muito superficial do caldo ralo. Onde estaria a leveza e a elasticidade das massas asiáticas?

E onde foi parar a delicadeza do atendimento oriental? O garçom-brucutu derrubou cerveja na mesa, na minha calça, na minha câmera fotográfica (aaaa!!!) e nem trouxe um paninho para eu me limpar. Problema deles (e, infelizmente, do planeta) que tiveram pacotes e mais pacotes de guardanapos de papel desperdiçados…

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[ Linguiça pantaneira: roots, mas gente boa ]

É uma casa sul-matogrossense, não se pode esquecer. Então é melhor deixar pra lá orientalismos e se concentrar nas especialidade mais, digamos, “pantaneiras”, como a boa linguiça pantaneira (R$ 18, a porção de entrada) de sabor bem roots (e textura idem, com nozinhos que incomodam, mas não deixam de ser autênticos). E a típica sopa paraguaia (R$ 18), uma tortinha de milho pouco úmida mas com divertidos sabores de queijo e cebola.

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[ O cardápio dizia que eram cortes selecionados de cupim... ]

Pule o cupim ao leite (R$ 26) macio, mas brutal demais pra nossos tão domesticados estômagos paulistanos. Só conseguimos encarar a mandioca do acompanhamento, que se desmanchava quase como manteiga.

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[ Picolés Frutos do Cerrado: viva o vizinho! ]

E de sobremesa – a melhor parte! – picolés do anexo Frutos do Cerrado (R$ 3 cada). O de pequi, muito massudo e enjoativo, não fez juz à fama. Mas o de graviola e o de lichia eram de um frescor de acalmar até mesmo a selvagem Juma Marruá. Ou os mais vingativos samurais do Que Bicho.

… cinco dicas pro milagre não virar vinagre

Quinta-feira, 25 Junho, 2009 by Demian Takahashi

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Vai até o fim de julho nas pizzarias Bráz o festival “Fora de Série: O Milagre de San Gennaro”. A intenção é reproduzir com o máximo de fidelidade a legítima pizza napolitana aqui em São Paulo. Não poderia ficar de fora o mítico tomate San Marzano – indispensável nas melhores pizzarias de Nápoles – importado com exclusividade. A marca escolhida é a do produtor Sabato Abagnale, que faz um número limitado e disputadíssimo do enlatado “Il Miracolo di San Gennaro” (diz a lenda que o vermelho desse tomate é tão intenso quanto o do sangue de San Gennaro, que supostamente se liquefaz do pó em certos dias do ano, comemorados pelos napolitanos). Pra ajudar no milagre são utilizados também farinha, atum, orégano e até água importados da Itália.

Mas chega de press-release e vamos às dicas pra você testemunhar a transfiguração das redondas napolitanas com seus próprios olhos:

1. Forre o estômago. Estranhamente as pizzas do festival parecem menores que as do cardápio regular. Então, previna-se pedindo uma entradinha, como uma fatia de pão de calabresa ou um crocante corniccione bráz, coberto de alecrim e sal grosso.

2. Abra a carteira. Já que não vai ser um jantar barato (as redondas-especiais vão de R$ 45 a R$ 59), experimente uma garrafinha de água italiana Ferrareli (R$ 5,90), também vinda de Nápoles. Com um leve salgado e borbulinhas naturais superdelicadas, quase desbancou a San Pellegrino entre as minhas águas preferidas.

3. Se beber, não se reprima. Sirva-se de jarrinhas de 250 ml (R$ 19) dos três vinhos trazidos de Campania especialmente para o festival. Só sai R$ 6 mais caro que a garrafa inteira (R$ 51 por 750 ml), e fica muito mais divertido discutir qual deles hamoniza com o quê. Eu gostei do borbulhante e levinho quase doce Caputo Gragnano com a marguerita.

4. Respeite as tradição. A grande estrela do festival é o tomate “Il Miracolo”. Então não vá combiná-lo com a fortíssima azeitona da pizza Burrata (R$ 58), nem com o atum enlatado da Tonno di Cetara (R$ 59). Fique com a Marguerita (R$ 53) ou a Marinara (R$ 45): as duas únicas coberturas levadas a sério lá em Nápoles. Só assim o tomate vai conseguir te mostrar toda sua doçura e perfume. E aquele acidinho refrescante só no fundo do paladar. Uma delícia.

5. Reze pra San Gennaro. Para que os pizzaiolos napolitanos marquem presença na unidade Bráz mais próxima de você. Nem que seja em espírito. Eles com certeza não teriam deixado a muito elástica e fofa massa ficar finíssima ao centro. Meio empapada pela cobertura. E – pecado! – sem crocância nas bordas.

Mas, como não é um problema de produto nem de receita, e sim de uma – digamos – baixa repentina da temperatura do forno, o Bicho recomenda com força desembolsar uma graninha para experimentar os tão afamados tomates San Marzano. É o mais próximo de Nápoles que você conseguirá chegar sem ir pra Cumbica.

Que San Gennaro te abençoe!

… a comida de Okinawa (hein?)

Terça-feira, 23 Junho, 2009 by Demian Takahashi

Como descobrir um lugar bom pra comer? A gente algumas vezes esquece, mas a resposta é bem óbvia: pergunte para quem entende do babado. Foi o que fiz, ao questionar Kaku-san, aquele que para o Luiz Horta é o mais hábil chef de São Paulo. Não foi sem surpresa que recebi uma resposta misteriosa: “Deigo”. Que veio com um predicado mais esquisito ainda: “especializado em comida de Okinawa”.

Alguém aí sabe alguma coisa de Okinawa? Eu, até então, só sabia que há um tempo atrás o arquipélogo no extremo sul do país insistia em se emancipar, se separar do Japão, alegando ter etnia, língua, cultura próprias.

“Quanta bobagem. Quem renega o Japão boa pessoa não é”, pensei cheio de preconceito por aquelas ilhotas quase vizinhas de Taiwan. E, pra piorar, nunca tinha ouvido falar desse tal de Deigo! Não eram bons sinais… Anotei por obrigação o nome no caderninho e segui em frente.

A gente se prega peças: faz perguntas, mas não quer ouvir as respostas…

* * *

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[ Sobá com costela (R$ 15 a porção pequena): porcoso profundo e perfumado ]

Meses depois, em direção a um seguro restaurante na Liberdade, uma biboca iluminada chamou a minha atenção. Cheia de japoneses – sinômimo de boa comida – enchendo a cara pós-trabalho. Entrei e pedi pra ver o cardápio, que tinha uma página inteira com receitas de Okinawa. Era, enfim, o Deigo dando um jeitinho de voltar à pauta.

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[ Tchampon Sobá (R$ 16 a porção pequena): com frutos do mar, legumes e... porco ]

A especialidade é o Sobá de Okinawa – que não tem nada do trigo-sarraceno dos sobás que você conhece. A massa muito elástica poderia vir com costelinhas de porco, vegetais, frutos do mar… A primeira colherada foi como um murro na cara. Ao invés da esperada sutileza do dashi, recebi um caldo cheíssimo, redondo, que preencheu minha boca com milhões de gradação de sabor. O com costelinhas de porco (R$ 15 a porção pequena) tinha um porcoso profundo e perfumado, quase chinês. O de frutos do mar (R$ 16 a porção pequena) vinha com um caldo de moluscos e crustáceos superintenso, mas ao mesmo tempo muito etéreo na sua completude.

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[ Tempurá de goyá (R$ 20): mais amargo que jiló de mau-humor ]

Depois dessa, não tinha como não provar o legume típico das ilhotas: o goyá (conhecido pelos japas como nigauri). Quem costuma passear pela Liberdade já viu desses primos bixiguentos do pepino, de sabor amarguíssimo. Em forma de tempurá, a gigantesca porção nos pegou de surpresa. Até mesmo a Anna, que é fã número um de jiló, desistiu: “não dá pra comer isso não!” Eu bem que tentei, mas o amargo bem punk me nocauteou. Coisas de sabor adquirido…

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[ Gelatina de laranja na própria casca: tecnoemocional à moda Okinawa ]

A delicadíssima gelatina de laranja na sua própria casca, porém, me botou novamente de pé. Com alguns gominhos inteiros, de surpresa, pra dar textura. Tão refrescante. Tão original. Tão simples e bom!

Aquela comida ia muito além do Japão conhecido. Talvez Okinawa merecesse mesmo a independência, ou ao menos se descolar do rótulo Japão, lutar por sua identidade.

“Vocês realmente não vão levar o restante do tempurá pra casa?”, Yukio-san, o simpático dono do restaurante interrompeu meus devaneios geopolíticos. “Fica ótimo com shoyu de café da manhã. Experimente!”

Hesitei por um momento. Amargo de manhã já basta o do expresso mal tirado! Mas aquele senhor muito sorridente e também muito redondo me lembrou meus avós dizendo sempre: “motainai! motainai!” (tradução-tabajara: não se desperdiça comida!)

Ao aceitar o pacotinho de viagem, o sorriso de Yukio-san dobrou de tamanho: “Embrulhe também pra ele duas gelatinas de laranja! Você gostou tanto… Assim seu café-da-manhã estará completo!” Saí do restaurante como saio sempre das casas de parente: cheio de comida debaixo dos braços. E feliz, com uma sensação muito íntima…

Okinawa, enfim, também era da família.

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[ Matulinha pra levar: em casa ]

… sucesso de crítica

Segunda-feira, 22 Junho, 2009 by Anna Angotti

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O Maní está com tudo. Depois de sua passagem por São Paulo, François Simon, crítico do Le Figaro, escreveu que Helena Rizzo é uma cozinheira dos diabos (de boa). Numa crônica recente em sua coluna na Folha, Nina Horta também rasgou elogios à chef, “uma artista que se encaminhou para a cozinha e usa o perfeccionismo que usaria nas telas, nos desenhos ou esculturas” (link só para assinantes Folha/UOL).

Tá certo que o François Simon não se revelou um crítico dos mais exigentes em território tupiniquim, e que a Nina exagera – e, quanto mais ela exagera, mais deliciosas são suas crônicas. Mas que o Maní anda fazendo bonito, ah, isso anda.

A gente não consegue entender quando outros blogueiros reclamam do serviço: já comemos mal no Maní no passado – um tucupi salgado demais aqui, um cordeiro com gosto de congelado acolá – mas as garçonetes sempre fizeram mil peripécias para que, mesmo nessas situações-limite, saíssemos com a certeza de que voltaríamos.

Ainda bem, porque cada vez que a gente volta, a sensação é de que a comida está melhor.

No nosso último almoço lá, descobrimos que os pirulitos crocantes de parmesão do couvert são servidos apenas no jantar – ou em porções de seis unidades a qualquer hora. “Que pena, seis é muito, fica pra próxima”, falamos. Mas logo veio uma duplinha, devidamente cobrada como couvert de jantar (R$ 10) na conta do almoço. Pequenas gentilezas que não prejudicam ninguém.

Também não foi a primeira vez que pedimos um vinho que estava em falta. Como não foi a primeira em que o sommelier ofereceu uma garrafa superior pelo preço do pedido original. “Não faz mais que obrigação”, dirão os ranzinzas. Sim, mas na maré de picaretagem que a gente anda vendo por aí, quem cumpre a obrigação já merece crédito.

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Não caímos de amores pelo carpaccio de polvo (R$ 36), com fatias mornas servidas em uma louça aquecida com batatas e frisée. Sentimos falta de acidez, de frescor. Mas, mesmo assim, raspamos o prato, animados pela páprica que dava certa graça ao conjunto.

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Difícil é ir ao Maní e não pedir o peixe a baixa temperatura com espuma de tucupi, banana da terra e migalhas de pão e farinha de milho (R$ 55). É um prato inspiradíssimo, bonito de ver e melhor ainda de devorar. Os ingredientes – peixe, banana, tucupi, pétalas e migalhinhas – são combinados com harmonia, não brigam por atenção. É mais ou menos como levar à boca um standard da Bossa Nova (ai, que bicho me mordeu?).

Só não votamos nesse prato no Prêmio Paladar porque, na primeira vez que provamos, estava salgado demais. Há quem culpe o fornecimento irregular de tucupi, mas cabe aos cozinheiros se acertar com os fornecedores e provar os ingredientes (ainda mais aqueles com fama de temperamentais) – não a nós relevar esse pequeno detalhe, né? Mas parece que o problema já foi superado, ou andamos com sorte, porque nas últimas vezes o prato estava perfeito.

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De sobremesa, infusão de frutas vermelhas com sorvete de baunilha e raspadinha de sangria (R$ 17). Vinha com um canudinho que imitava pau de canela no visual e no sabor (feito de especiarias, segundo a garçonete) que desmanchava na boca e – como todas as coisas boas demais – acabou muito rápido.

Só no conversor de moedas do François Simon que uma refeição no Maní custa R$ 50. E na licença poética da Nina que “poderia lançar ao mar uns mil navios”. Mas este é, sem dúvida, um dos melhores restaurantes de São Paulo. A comida do Maní inspira, alegra e convida a voltar.

Tanto que é lá que pretendemos levar a tia Elisa em agradecimento pela tradução das críticas do Simon pro Bicho. Ou melhor, do “deslumbrado do Simon”, nas palavras dela.

… viagem ao centro da esfiha

Quarta-feira, 17 Junho, 2009 by Demian Takahashi

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Dirigir mais de 15km – nesse trânsito do inferno, lutando contra caminhões nas marginais – por uma esfiha? Só se for a da Casa Garabed, lá em Santana. Não que seja um super achado (a merecida fama faz os preços um pouco salgados: de R$ 5,40 a R$ 7,80 a unidade), mas a exclusividade de ter sua redondinha aberta, recheada e assada na hora num lendário forno à lenha é um luxo sem igual. Que se materializa numa massa fina, supercrocante no centro; leve e perfumadíssima nas bordas.

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Não dê bobeira – lembre-se: slowfood – e peça três, quatro unidades de uma só vez. Uma coberta com cordeiro deliciosamente cordeiroso, outra perfumada com zahtar, mais uma com forte bastrmá e queijo… Nem precisa cair em tentação e se dispersar entre as opções de pratos principais (bem caros e nada tão espetacular como as esfihas).

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Sua refeição que vale a aventura estará aí: devorada a primeira leva, esperar com água na boca – bicando soirlmé (uma pasta de berinjela superdelicada, R$ 24) – por mais três, quatro esfihas quentinhas e mais uma vez surpreendentes.

Em busca de um lugar romântico?

Quinta-feira, 11 Junho, 2009 by Anna Angotti

Num desses dias frios, estava com vontade de jantar em algum lugar aconchegante, romântico – e com comida boa, claro. Declamei uma lista de possíveis bistrôs, de restaurantes que servem fondue, de casas que primam pela decoração sem fazer feio na cozinha… tudo em vão. O japa tava irredutível: afinal, já passava da hora do Bicho experimentar a filial paulistana do Harry Pisek, salsicharia tradicional de Campos do Jordão.

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Do carro, já dava para ver que o salão, superiluminado, estava bem vazio. Depois de passar os olhos pelas prateleiras refrigeradas que ficam logo na entrada, com toda sorte de salsicha de fabricação própria para levar para casa, o japa pareceu hesitar um minuto:

– É, não é nada romântico… quer ir em outro lugar?
– Claro! – respondi.
– Como assim???

A sentença estava dada. O jeito foi abrir o cardápio em forma de salsicha e me divertir com o desfile de palavras como chitaque, gnogi, champinhom… Pedimos o Harry Pisek Wurst (R$ 72,90), que vem com cinco tipos de salsicha, leberkäse (um bolo de carne), salada de batatas e chucrute. Muito romântico.

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Veio linguiça, salsicha branca frita, salsicha branca com ervas, salsicha com alho e salsicha de queijo ementhal, todas feitas artesanalmente segundo as técnicas que Harry aprendeu na Alemanha. “Difererente do que se encontra normalmente no mercado, nossa salsicha é 100% de carne”, explica o site.

Nossa favorita foi a de ementhal (ops, não pode ser 100% de carne!), superdelicada na medida que uma salsicha consegue ser delicada. Só não foi disputada a tapas porque o japa resolveu ser cavalheiro e deixar a maior parte para mim, enquanto dava fim no incrível chucrute (na medida que um chucrute pode ser incrível). Super romântico o gesto, ainda mais ao som da Alpha FM (Ooooone moment in tiiiiime…), sob a luz das arandelas enfeitadas com salsichas.

Apesar da gostosa mostarda com mel, das boas salsichas (huuum, a de ementhal) e das risadas que demos, não sei se algum dia eu vou estar especialmente no clima para comer no Harry Pisek. Mas recomendo com força para quem insiste em jantar fora no dia dos namorados. Pelo menos é mais romântico que ficar na fila.

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Ah, insiste em tentar um restaurante romântico para o dia dos namorados? Dá uma olhada lá no Guia Que Bicho. E boa sorte.

… feriado ao mar

Quinta-feira, 11 Junho, 2009 by Demian Takahashi

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Trabalhar no feriado é um porre. Se não posso ter o mar nesse dia nublado, é melhor almoçar bem, talvez um peixe aqui ao lado da redação, no bistronomic Nou. O prato do dia era um robalo ao molho de limão com legumes grelhados.

O peixe – que custava justíssimos 28 reais – era alto, muito úmido, suave como a querida brisa cinzenta; as cebolas do acompanhamento vieram crocantes e doces. Do tal limão nem senti cheiro, mas quem se importa? Pelo som do salão, Coltrane soltava seu sax levemente ácido em My Favorite Things. Tempero perfeito.